Acessibilidade
Guia acessível da exposição
Uma página para acompanhar a visita presencial a Cidade, Cor e Ambiente.
Boas-vindas à exposição
Você está na exposição Cidade, Cor e Ambiente, com fotografias de Anthony Buqui realizadas em Passo Fundo. Este site reúne recursos de acessibilidade da mostra: texto curatorial, ficha técnica, informações do percurso e audiodescrições das obras.
Orientação de uso
Cada obra tem um código QR próprio. Ao escanear o código ao lado da obra, você acessa a página correspondente, com audiodescrição em texto e, quando disponível, áudio. As fotografias não aparecem neste site; elas estão disponíveis para fruição no espaço expositivo.
Para pessoa com leitor de tela
Use os links de navegação para acessar a lista de obras, o texto curatorial ou a ficha técnica. As páginas das obras estão organizadas por número, título, cartela e descrição da imagem.
Texto curatorial · Patrícia Vívian
O Tempo de Permanecer
Esta exposição surge do desejo de criar uma pausa. Um intervalo durante a velocidade das horas que insistem em controlar nosso dia. Um tempo, um respiro onde a imagem possa ser a presença e experiência.
Vivemos cercados por imagens. Elas atravessam nossos dias em uma linha contínua de aparições: surgem por um instante e logo já são substituídas por outras. Entre telas, notificações e fluxos visuais incessantes, o olhar tornou-se e aprendeu a ser apressado.
Passo Fundo, cidade que abriga mais de duzentos mil habitantes, pulsa diariamente em diversos ritmos. Entre deslocamentos em transportes públicos, carros de aplicativos, encontros, compromissos e urgências e emergências, a vida segue seu curso acelerado. É justamente nesse movimento contínuo que estas fotografias encontram seu lugar: revelando pausas discretas, instantes de quietude e pequenas epifanias visuais.
As fotografias reunidas aqui não procuram o espetáculo nem a grandiosidade dos acontecimentos extraordinários. Elas se aproximam daquilo que muitas vezes passa despercebido: a luz que toca lentamente uma superfície, a imagem silenciosa de uma paisagem, a água e a chuva que escorrem e seguem fluxos, os arranha-céus cada vez mais altos, cinzas. Produzidas em Passo Fundo, essas imagens registram instantes singulares que emergem no cotidiano da cidade, revelando momentos de barulho, silêncio, contemplação e questionamentos em meio à agitação da vida urbana. São imagens que não se impõem, apenas se aproximam de quem olha com discrição, convidando a uma observação mais atenta.
A paisagem presente nestas imagens também nos recorda que contemplar é uma forma de estabelecer vínculo com o meio ambiente. Cada árvore, curso da água, o céu, o campo registrado revela que a natureza não constitui apenas um cenário, mas um organismo vivo do qual estamos inseridos e fazemos parte. Em tempos marcados por profundos impactos ambientais, olhar atentamente para esses espaços torna-se igualmente um exercício de cuidado com o meio.
Há nas fotografias uma relação particular com o tempo. Um tempo que não é o da urgência nem o da produtividade, mas o da permanência. Um tempo capaz de desacelerar a experiência e permitir que os detalhes apareçam no horizonte.
A cor ocupa um lugar fundamental nesta experiência. Ela não surge apenas como um movimento ou equilíbrio estético da fotografia, mas como uma linguagem que atravessa a paisagem e que transforma a percepção de olhar para a imagem. As variações de luz, temperatura e tonalidade revelam atmosferas, despertam sensações e conduzem o olhar para aquilo que, muitas vezes, permanece invisível na velocidade do cotidiano.
Diante dessas fotografias, o olhar não precisa correr em busca de significados imediatos. Pode simplesmente permanecer.
Contemplar não é um gesto passivo. É uma forma de presença. Exige disponibilidade para escutar o que a imagem tem a dizer além do que ela mostra, como também aceitar que nem tudo se revela de uma vez.
Cada fotografia apresentada carrega momentos de um encontro entre o fotógrafo e o mundo. Entre a câmera e a paisagem. Entre o instante vivido e a captura da imagem. Mais do que registrar um lugar, um objeto ou uma cena, as imagens procuram preservar e contar uma experiência.
Vivemos num tempo marcado pela poluição visual, talvez olhar com calma seja um gesto entendido como radical, onde permanecer diante de uma imagem e contemplar torna-se uma forma de resistência à lógica da aceleração que atravessa nossos dias.
A mostra não oferece respostas prontas. Elas abrem espaços para a memória, para a imaginação e para aquilo que ainda não encontramos palavras para definir o instante. Entre luzes, cores e sombras cada fotografia propõe uma experiência individual de aproximação.
Talvez a contemplação começa exatamente no momento em que deixamos de passar rapidamente pelas imagens e permitimos que elas permaneçam conosco. No instante em que o olhar desacelera, o tempo se amplia e o mundo, por um breve momento, PARA.
PARAR é dar tempo ao olhar. É descobrir que, quando pausamos, o mundo volta a revelar aquilo que a pressa costumava esconder.
Ficha técnica
- Projeto
- Cidade, Cor e Ambiente
- Pesquisa e fotografia
- Anthony Bernardo Baruffi Buqui
- Curadoria
- Patrícia Vívian
- Coordenação geral
- Anthony Bernardo Baruffi Buqui
- Comunicação e social media
- Nicolas Lian
- Publicidade e estratégia de divulgação
- Nicolas Lian
- Projeto gráfico
- Alexsandra Ehlert Prochnow
- Oficineira
- Adriana Machado Dall'Igna
- Produção e assistência de montagem
- Patrícia Vívian, Alexsandra Ehlert Prochnow e Nicolas Lian
- Produção cultural e acessibilidade
- Skopo Cultura
- Apoio cultural
- Grupo Foto Sul
- Apoio institucional
- Galeria Estação da Arte, Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, SESC, Confraria das Artes, GESP
- Financiamento
- 9º Prêmio Funcultura, Município de Passo Fundo
Obras
As 25 fotografias emolduradas da exposição, listadas pelos títulos. Cada link abre a página da obra, com cartela, descrição da imagem e paleta de cores.
- Acessar descrição e audiodescrição de “Coevolução”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Espelho”
- Acessar descrição e audiodescrição de “O Invasor”
- Acessar descrição e audiodescrição de “A Cultura Vive”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Abraço Urbano”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Arte na Estação”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Despertar”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Emaranhado”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Energia”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Fim do Horizonte”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Florida Solitude”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Fluxo Contínuo”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Força”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Hora Marcada”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Horizonte Bloqueado”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Infinitas Palavras”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Mecanismo de Defesa”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Paixão”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Presente Contínuo”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Morada”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Shinrin-yoku”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Simbiose”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Streetwear”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Suspensão do Tempo”
- Acessar descrição e audiodescrição de “Voador”
Peças em voil
As peças em voil são impressões em tecido leve e translúcido, suspensas no espaço expositivo. Diferente das fotografias emolduradas, elas também atuam como elementos espaciais. A imagem muda conforme a posição da pessoa visitante, a incidência de luz e a relação com o ambiente.
Nas páginas das peças, a descrição tem duas camadas: a peça como objeto no espaço e a descrição da imagem impressa.
Recursos de acessibilidade adotados
A exposição Cidade, Cor e Ambiente foi planejada com atenção à acessibilidade visual, digital, comunicacional e à experiência presencial do público. Entre os recursos adotados estão:
- código QR geral de acessibilidade na entrada da exposição;
- códigos QR individuais nas etiquetas das obras;
- descrições textuais das imagens compatíveis com leitores de tela, como VoiceOver e TalkBack;
- páginas individuais das obras com estrutura textual acessível;
- ficha técnica em formato linear nesta página;
- links descritivos e navegação pensada para celular;
- cuidado com contraste, tamanho de fonte e legibilidade no site;
- comunicação com informações claras sobre exposição, local, data e acesso;
- uso de vidro fosco nas molduras, reduzindo reflexos sobre as fotografias;
- atenção à iluminação das obras;
- atenção à circulação entre fotografias emolduradas e peças em voil;
- descrição específica das peças em voil como elementos expográficos.